O GWM Tank 300 PHEV Flex foi lançado oficialmente no Salão de Pequim de abril de 2026 e já está disponível no Brasil pelo preço de R$ 342.000 (modelo 2027). O SUV é inédito no mundo por combinar tecnologia híbrida plug-in com motor flex — capaz de rodar tanto com gasolina quanto com etanol — resultado de uma parceria exclusiva entre a GWM Brasil e a Bosch do Brasil.

Motor e desempenho: quase 400 cv com etanol ou gasolina

O coração do Tank 300 Flex é um motor 2.0 turbo flex de 163 cv que trabalha em conjunto com um motor elétrico, somando 394 cv de potência e 76,4 kgfm de torque combinados. O câmbio é automático de 9 marchas, com tração 4×4 permanente e bloqueios de diferenciais dianteiro, traseiro e central.

Com esse conjunto, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos. É importante destacar que a conversão para o sistema flex não alterou os números de potência nem de torque em relação à versão a gasolina. Isso é possível graças ao ciclo Miller adotado pelo motor — uma arquitetura que prioriza eficiência energética ao reduzir a compressão e otimizar a energia gerada na combustão, compensando as diferenças calóricas entre os combustíveis.

O consumo, no entanto, varia conforme o combustível utilizado. Com gasolina no modo híbrido, o Tank 300 Flex alcança até 18,3 km/l na cidade e 18,8 km/l na estrada. Já com etanol, os números caem para 13,1 km/l urbano e 14,1 km/l rodoviário — diferença esperada, uma vez que o etanol exige cerca de 30% mais combustível do que a gasolina para gerar a mesma potência.

Plug-in com 74 km elétricos e tecnologia flex desenvolvida para o Brasil

Por ser um híbrido plug-in, o Tank 300 pode ser carregado na tomada e circular sem consumir combustível. A bateria de 37,1 kWh garante até 74 km de autonomia elétrica pelo padrão Inmetro (ou 106 km pelo ciclo WLTP). A recarga rápida em corrente contínua (DC) suporta até 50 kW.

A tecnologia flex foi desenvolvida exclusivamente para o mercado brasileiro. A Bosch do Brasil trabalhou em conjunto com a GWM Brasil e a matriz chinesa para reprogramar a ECU — unidade de controle do motor — de forma que ela identifique o tipo de combustível no tanque e ajuste automaticamente a queima e o gerenciamento energético do sistema híbrido. A complexidade é maior do que em motores flex convencionais precisamente porque o sistema precisa integrar essa variável ao controle da unidade elétrica.

Off-road de verdade: 9 modos, bloqueios e 70 cm de vau

O Tank 300 foi concebido como um SUV de uso misto, capaz de enfrentar trilhas exigentes. Ele conta com 22,2 cm de altura livre do solo, 9 modos de condução, bloqueios eletrônicos de diferencial dianteiro, traseiro e central, assistente de manobra em curva fechada e capacidade de vencer trechos alagados com até 70 cm de profundidade.

O chassi é do tipo longarinas — o mesmo conceito estrutural usado em picapes —, o que confere rigidez superior à maioria dos SUVs monocoque. Um diferencial adicional é o piloto automático off-road, que gerencia acelerador e freio automaticamente em terrenos irregulares, liberando o motorista para focar na direção.

Interior premium e pacote ADAS de nível 2

O acabamento interno é condizente com o preço: bancos revestidos em couro Nappa, com aquecimento, ventilação e ajuste elétrico nos dianteiros. O painel conta com duas telas de 12,3 polegadas — uma para a central multimídia e outra para o painel de instrumentos digital —, além de ar-condicionado dual zone, teto solar elétrico e carregador por indução de 50W.

O pacote de segurança ativa segue o padrão ADAS Nível 2, com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e estacionamento automático. São 6 airbags e classificação máxima nos testes de segurança aplicáveis.

Dimensões e porta-malas: espaçoso, mas apenas 5 lugares

Com 4.760 mm de comprimento, 1.930 mm de largura, 1.903 mm de altura e 2.750 mm de entre-eixos, o Tank 300 tem porte similar ao Toyota SW4 e ao Chevrolet Trailblazer. A diferença importante é que o modelo da GWM oferece apenas 5 lugares, enquanto os rivais têm configuração para 7 ocupantes. O porta-malas comporta 360 litros com todos os passageiros ou 1.520 litros com o banco traseiro rebatido.

O que o GWM Tank 300 Flex representa para o mercado brasileiro

O Brasil é o único país do mundo onde o Tank 300 PHEV Flex está disponível — e não é coincidência. O mercado nacional é o maior consumidor de veículos flex do planeta, com uma infraestrutura consolidada de distribuição de etanol que nenhum outro país possui. Ao trazer um híbrido plug-in compatível com esse ecossistema, a GWM aposta diretamente na demanda por SUVs grandes com baixo custo operacional.

O preço de R$ 342.000 posiciona o Tank 300 Flex R$ 3.000 acima da versão a gasolina, uma diferença considerada pequena dado o desenvolvimento tecnológico envolvido. O modelo compete diretamente com o Toyota SW4 e o Chevrolet Trailblazer em termos de porte, mas se diferencia pela propulsão eletrificada e pelo desempenho off-road mais agressivo. Para o consumidor brasileiro que roda com etanol e busca autonomia elétrica para uso urbano, a combinação entre os 74 km elétricos e o tanque flex representa uma vantagem concreta de custo por quilômetro.