O setor automotivo chinês entrou em dezembro de 2025 apresentando sinais de desaceleração, influenciado por fatores sazonais e alterações nas políticas de incentivos. Durante a primeira semana do mês, as vendas no varejo mostraram números preocupantes, com consumidores demonstrando cautela em resposta às mudanças nos subsídios e ao término da isenção fiscal para veículos elétricos.
Entre os dias 1º e 7 de dezembro, o varejo de veículos de passageiros registrou a venda de 297.000 unidades, uma queda significativa de 32% em comparação ao mesmo período do ano anterior, além de 8% em relação a novembro. No segmento atacadista, as montadoras enviaram 298.000 unidades às concessionárias, quase 40% a menos em relação a dezembro de 2024. Apesar da queda, o volume acumulado anual ainda supera a marca de 27 milhões de unidades.
Números que importam
Os novos veículos energéticos (NEVs) continuam a dominar o mercado, com 62,2% das vendas no varejo e 64,3% no atacado. Foram vendidas 185.000 unidades no varejo e 191.000 no atacado, embora abaixo dos números do ano passado, mantém um crescimento anual de 19% e 27%, respectivamente.

A produção também reflete essa tendência. Os veículos movidos a combustíveis fósseis tiveram uma produção de 212.000 unidades, com uma queda de 27% em relação ao ano anterior. Já os híbridos e híbridos plug-in somaram 140.000 unidades, uma retração de 10%. O foco definitivamente se mantém nos NEVs, que se consolidam como o motor principal do setor.
Embora as vendas tenham apresentado uma desaceleração, o cenário anual ainda aponta crescimento. O total de vendas no varejo de veículos de passageiros alcançou 21,78 milhões de unidades, enquanto as vendas de NEVs totalizaram 11,66 milhões. No atacado, o acumulado anual de NEVs chegou a 13,95 milhões, reafirmando a força desse segmento mesmo diante da desaceleração do mercado.
A diminuição nas vendas de dezembro está relacionada à redução dos incentivos à troca de veículos e à prudência das concessionárias. Com o aumento do estoque nos canais de distribuição nos últimos dois meses, os pedidos foram feitos de maneira mais cautelosa, resultando em um ritmo de vendas inferior ao observado em dezembro de 2024, que teve uma demanda excepcional.

O panorama macroeconômico, por outro lado, permanece favorável, com a confiança do consumidor estável. O término das isenções fiscais para NEVs e o aumento do imposto sobre veículos devem acelerar as compras de final de ano, enquanto programas temporários de subsídio proporcionarão um certo alívio aos consumidores.
No âmbito internacional, a China continua a se destacar como exportadora. NEVs e híbridos fabricados no país estão conquistando mercados no exterior, reforçando a presença de marcas nacionais e contribuindo para um crescimento sustentável do setor, compensando parcialmente a retração do mercado interno.
Portanto, o setor automotivo transita entre a cautela e as oportunidades. Embora o varejo doméstico apresente lentidão, o segmento de NEVs e as exportações demonstram resiliência, indicando que a transição energética e a estratégia internacional serão cruciais para o desempenho automotivo nos próximos anos.



