A Mercedes-Benz ampliou a produção do novo GLC totalmente elétrico na fábrica de Bremen, na Alemanha, após o modelo registrar o maior volume de pedidos já alcançado por um veículo elétrico da marca nos três primeiros meses de comercialização. Apresentado mundialmente em setembro de 2025, o SUV passou a ser fabricado em larga escala ao lado de versões a combustão, híbridas plug-in e do sedã elétrico EQE. A expansão consolida o GLC como peça central da estratégia de eletrificação da montadora alemã.

Tecnologia de 800 V e recarga de 305 km em dez minutos

O novo GLC elétrico adota arquitetura de 800 volts e baterias de nova geração fornecidas pela ACCUMOTIVE, em Kamenz, desde 2026. A combinação permite recarga rápida capaz de adicionar até 305 quilômetros de autonomia em aproximadamente dez minutos, conforme o padrão WLTP.

Na versão GLC 400 4MATIC com EQ Technology, a autonomia total declarada pode chegar a até 715 quilômetros — número expressivo para um SUV médio premium e que coloca o modelo em patamar competitivo com os elétricos de maior alcance do segmento.

Cadeia industrial europeia integrada por múltiplas fábricas

Os motores elétricos do GLC são produzidos na unidade de Sebeș, na Romênia, enquanto eixos elétricos e outros componentes estratégicos chegam da planta de Hamburgo. A distribuição reflete a estratégia da Mercedes-Benz de conectar diferentes fábricas especializadas em uma cadeia europeia coesa de eletrificação.

Bremen tem papel histórico nessa transição. Em 2019, foi a primeira unidade da fabricante a incorporar um elétrico — o EQC — em produção seriada em larga escala. O novo GLC é o terceiro modelo totalmente elétrico fabricado no complexo, que atualmente produz 11 modelos diferentes, incluindo veículos das linhas Mercedes-AMG, Mercedes-Maybach, Classe C, CLE, GLC e EQE — sendo sete deles exclusivos da planta alemã.

O que a expansão do GLC elétrico significa para o mercado brasileiro?

O GLC é um dos SUVs premium mais vendidos pela Mercedes-Benz no Brasil, onde a versão convencional e a híbrida plug-in já são comercializadas. O GLC híbrido plug-in, por exemplo, é ofertado no país em faixas que superam R$ 400 mil, posicionando-o no topo do segmento de SUVs médios premium.

A chegada da versão totalmente elétrica ao mercado nacional ainda não tem data oficial confirmada pela montadora. No entanto, o recorde de pedidos registrado globalmente e a expansão acelerada da produção em Bremen indicam que a Mercedes-Benz tem interesse em escalar o modelo internacionalmente. Para o consumidor brasileiro, o GLC elétrico representaria uma opção de alto desempenho com recarga ultrarrápida em um segmento ainda escasso de alternativas eletrificadas com mais de 700 km de autonomia.

O cenário de importação, caso confirmado, exigiria atenção ao imposto sobre veículos elétricos importados — hoje com alíquota progressiva em retomada — o que poderia elevar o preço final a patamares acima de R$ 500 mil dependendo da configuração.