O governo brasileiro publicou o decreto que oficializa o IPI Verde, um novo modelo de tributação automotiva que premia veículos com menor impacto ambiental. A medida integra o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) e cria um sistema de incentivos e penalidades fiscais baseado em cinco critérios técnicos: emissão de CO₂, tipo de motorização, eficiência energética, segurança veicular e índice de reciclabilidade.

O que é o IPI Verde e como funciona

A nova regra estabelece uma alíquota base de 6,3% para veículos de passeio e 3,9% para comerciais leves. A partir disso, o valor do imposto pode diminuir ou aumentar conforme as características do veículo. Entre os maiores beneficiados estão carros híbridos e elétricos produzidos no Brasil, que atendam aos critérios de eficiência e sustentabilidade definidos pelo programa.

Para ter IPI zerado, o modelo precisa:

Reduções e acréscimos na alíquota do IPI por tipo de propulsão

Confira como o tipo de motorização impacta na alíquota final do IPI para veículos de passeio:

Tipo de Propulsão Variação na Alíquota (%)
Elétrico 100% (BEV) -2,0
Híbrido Plug-in flex ou etanol (PHEV) -2,0
Híbrido completo flex ou etanol (HEV) -1,5
Híbrido leve flex ou etanol (MHEV) -1,0
Etanol (sem eletrificação) -0,5
Flex-fuel convencional 0,0
Híbrido plug-in a gasolina +2,0
Híbrido completo a gasolina +3,0
Híbrido leve a gasolina +4,5
Híbrido plug-in a diesel +3,0
Híbrido completo a diesel +4,0
Híbrido leve a diesel +5,5
Gasolina convencional +6,5
Diesel convencional +12,0

A redução acumulada pode zerar o IPI para modelos nacionais que se enquadrem em todos os critérios de sustentabilidade.

Quais modelos podem se beneficiar do IPI Verde

Híbridos flex produzidos no Brasil

Modelos como o Toyota Corolla Altis Hybrid (Indaiatuba-SP) e o Corolla Cross Hybrid (Sorocaba-SP) já atendem aos critérios para redução de até 3,5 pontos percentuais no IPI. Ambos utilizam tecnologia híbrida completa e motor flex, com eficiência energética acima da média.

Imagem Toyota

A GWM também entra no radar com os modelos Haval H6 HEV e PHEV, que serão fabricados em Iracemápolis-SP. As versões futuras devem contar com propulsão híbrida compatível com etanol, elevando ainda mais o potencial de isenção tributária.

Imagem GWM

BYD avança na produção nacional

A BYD planeja iniciar a montagem de modelos como Dolphin Mini, Song Pro e King na fábrica de Camaçari-BA, em regime SKD (semi-desmontado). A produção 100% nacional deve começar em 2026, e com isso os modelos poderão se enquadrar na faixa de IPI reduzido ou zerado nos próximos anos.

Quem fica de fora do IPI Verde

Elétricos importados

Carros 100% elétricos vendidos atualmente no Brasil, como BYD Dolphin, Renault Kwid E-Tech, Fiat 500e, Peugeot e-2008, Volvo EX30, Mini SE e Zeekr X, estão fora da isenção total por não serem produzidos no Brasil. Apesar da motorização limpa, a falta de conteúdo nacional os exclui da categoria “Carro Sustentável”.

Híbridos a gasolina

Modelos como Kia Niro Hybrid, Honda Civic e:HEV e CR-V e:HEV também terão menos incentivos, ou até aumento na alíquota, por utilizarem gasolina como combustível principal e não atenderem aos critérios de eficiência e reciclabilidade.

Validade e futuro do IPI Verde

O novo sistema do IPI Verde é válido até dezembro de 2026 e deve funcionar como transição para a Reforma Tributária. Montadoras como Stellantis, Renault e Toyota já se movimentam para ampliar a produção nacional de veículos eletrificados, aproveitando os novos incentivos.

O programa representa um avanço importante, mas o desafio está em ampliar a produção local de carros elétricos e híbridos. Por enquanto, os maiores beneficiados são os híbridos flex fabricados no Brasil, mas o cenário pode mudar até 2026 com novos investimentos industriais.