A Geely desembarcou mais de 5 mil unidades do SUV híbrido plug-in EX5 EM-i no Porto de Paranaguá, no Paraná, em uma operação que quebrou recordes históricos de desembarque simultâneo de veículos eletrificados no país. A estratégia é clara: abastecer as concessionárias antes que a alíquota de importação suba para 35% a partir de julho de 2026, quando elétricos, híbridos plug-in e convencionais passarão a pagar a mesma tarifa independentemente da motorização. Com preços entre R$ 189.990 e R$ 234.990, o modelo já está em disputa direta com BYD Song Pro, GWM Haval H6 PHEV19, Jaecoo 7 e Jetour S06.

A corrida contra o relógio fiscal: por que 5 mil SUVs chegaram de uma vez

Desde julho de 2025, os veículos eletrificados importados já enfrentam alíquotas elevadas, mas o cenário ficará significativamente mais pesado no próximo ano. O governo federal unificou em 35% a tarifa de importação para toda a categoria eletrificada, sem distinção entre híbridos leves, plug-in ou 100% elétricos.

Antecipar o estoque é a resposta mais eficiente a esse cenário. Ao trazer milhares de unidades antes da virada tributária, a Geely garante abastecimento nas concessionárias sem reajuste imediato de preços, protege suas margens e ganha tempo enquanto estrutura a produção nacional. A tática pode se tornar um padrão entre outras montadoras chinesas que operam no Brasil e ainda dependem de importação.

EX5 EM-i: o que entrega o SUV que a Geely escolheu para liderar sua expansão no Brasil

O Geely EX5 EM-i é construído sobre a plataforma GEA (Arquitetura Global Inteligente Elétrica) e combina um motor 1.5 aspirado a gasolina com propulsores elétricos integrados ao câmbio. O resultado é potência combinada de 262 cavalos e torque de 38,7 kgfm, suficientes para acelerar de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos e atingir velocidade máxima limitada a 175 km/h.

O porte é robusto: 4,74 metros de comprimento, 1,90 metro de largura e 2,75 metros de entre-eixos, com porta-malas de 428 litros expansíveis a mais de 2.000 litros com os bancos traseiros rebatidos. Por dentro, central multimídia de 14,6 polegadas, painel digital de 10,2 polegadas e, nas versões superiores, projeção de informações no para-brisa completam o pacote tecnológico.

A autonomia é um dos argumentos mais fortes do modelo. As versões PRO e MAX usam bateria LFP de 18,4 kWh e oferecem até 65 km no modo elétrico puro, com autonomia combinada de 1.245 km segundo o Inmetro. A versão Ultra, com bateria de 29,8 kWh, eleva esses números para 112 km elétricos e 1.300 km de alcance total — superando concorrentes diretos já consolidados no mercado nacional.

No carregamento, as versões PRO e MAX aceitam recarga rápida de até 30 kW, indo de 30% a 80% em cerca de 20 minutos. A Ultra suporta até 60 kW em corrente contínua, completando o mesmo processo em aproximadamente 16 minutos. O SUV ainda permite fornecer energia para aparelhos externos e até para outros veículos.

A lista de equipamentos de série reforça o posicionamento agressivo: piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, câmeras com visão panorâmica 360°, detector de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, teto solar panorâmico, bancos ventilados e sistema de som com 16 alto-falantes.

Parceria com a Renault e produção nacional: o próximo passo da Geely no Brasil

O EX5 EM-i tem um significado estratégico que vai além das vendas imediatas: ele será o primeiro modelo produzido no Brasil fruto da parceria entre Geely e Renault, com montagem prevista na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná. A aliança faz parte de um investimento bilionário da fabricante chinesa, que planeja produzir pelo menos quatro modelos no país até o fim de 2027.

A produção local é a resposta estrutural ao problema tributário. Uma vez fabricado em território nacional, o EX5 EM-i deixa de ser impactado pelas tarifas de importação, permitindo à Geely praticar preços mais competitivos e ampliar o volume de vendas no médio prazo.

O que significa para o mercado e para o consumidor brasileiro

O Geely EX5 EM-i já está disponível no Brasil em três versões, com preços que vão de R$ 189.990 (PRO) a R$ 209.990 (MAX) e R$ 234.990 (Ultra). Esses valores colocam o modelo em competição direta com o BYD Song Pro EM-i e o GWM Haval H6 PHEV19, dois dos híbridos plug-in mais vendidos do segmento no país.

A chegada de mais de 5 mil unidades de uma só vez garante estoque nas concessionárias ao longo dos próximos meses sem a pressão imediata do reajuste tributário. Para o consumidor, isso significa janela de compra com preços ainda protegidos da alíquota de 35% que entra em vigor em julho de 2026. O desembarque recorde em Paranaguá é, na prática, um alerta de que esse prazo está se aproximando — e que quem esperar demais pode encontrar SUVs eletrificados importados significativamente mais caros nas lojas.