O mercado de baterias de lítio na China está prestes a enfrentar um cenário desafiador em 2026, conforme alerta Cui Dongshu, secretário-geral da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros (CPCA). A expectativa é de que as vendas internas de veículos elétricos, combustível para uma parte significativa do mercado de baterias, experimentem uma queda drástica devido a uma combinação de fatores, incluindo a redução de subsídios e mudanças fiscais.
Historicamente, a China tem sido um berço de inovação e crescimento no setor de veículos de nova energia (NEV). No entanto, em um movimento recente, diversos governos locais suspenderam incentivos que anteriormente estimulavam a troca de veículos tradicionais por elétricos. Isso resultou em um crescimento marginal nas vendas de baterias de lítio; em novembro último, as vendas alcançaram 57,1 GWh, traduzindo uma alta de apenas 13% em comparação ao ano anterior, uma taxa que está significativamente abaixo do crescimento energético de 46% registrado no mesmo período em 2022.
Cenário de vendas e mudanças fiscais
Embora as vendas totais de baterias no acumulado de janeiro a novembro tenham totalizado 478,7 GWh, um crescimento de 23%, esse número continua a ser menos impressionante comparado ao aumento de 37% do ano passado. A nova política tributária que reduz a isenção de impostos para NEVs, de 10% para 5%, é um dos principais fatores que devem esfriar a demanda pelo setor. Essa diminuição no estímulo irá desencorajar os consumidores, que já enfrentam um cenário de escolha mais restrito e preços potencialmente mais altos.
A demanda por baterias de lítio para veículos elétricos comerciais também está pautada por uma corrida para aproveitar os últimos subsídios ao longo do ano. O crescimento acelerado das entregas está se transformando em um início de ano fraco para 2026, com previsões de vendas em declínio.
Impacto das exportações e otimismo cauteloso
Em contrapartida, as exportações de NEVs chineses para o mercado dos Estados Unidos apresentaram dificuldades, com uma queda acentuada em 2025. Apesar do aumento na exportação de veículos novos, o impacto geral sobre a demanda por baterias será limitado, colocando uma pressão adicional sobre a indústria de fabricação de baterias na China.
Embora a CPCA anteveja uma redução de pelo menos 30% nas vendas de veículos elétricos de passageiros no início de 2026, Cui Dongshu destaca que a exportação de NEVs poderá oferecer um suporte parcial ao setor. Porém, a falta de demanda interna predominante deve limitar o efeito positivo e não ser suficiente para mitigar os impactos da desaceleração.
O que isso significa para o Brasil
- Dependência de Tecnologia: O Brasil, que buscará facilitar a adoção de veículos elétricos, precisa compreender as tendências de mercado da China, um líder global em tecnologia de baterias.
- Futuros Subsídios: A experiência chinesa pode influenciar políticas de subsídios no Brasil, especialmente como as mudanças regulatórias afetam decisões de compra de consumidores.
- Potenciais Parcerias: Com a desaceleração na China, oportunidades podem surgir para colaborações e investimentos em tecnologia de baterias e veículos elétricos no Brasil.



