A BYD registrou em abril sua oitava queda anual consecutiva no mercado doméstico chinês, com 314,1 mil veículos de passeio vendidos recuo de 15,7% frente ao mesmo mês do ano anterior. Ao mesmo tempo, as operações internacionais bateram recorde, com 134.542 unidades vendidas fora da China, crescimento de mais de 70% na comparação anual. O resultado revela uma montadora cada vez mais dependente do mercado global para sustentar seu crescimento.
Mercado interno pressiona, mas recuperação mensal dá alívio
Apesar do tombo anual, abril trouxe um sinal positivo em relação a março: as vendas de passeio avançaram 6,2% no comparativo mensal. Incluindo veículos de nova energia, o volume chegou a 321.123 unidades, com alta próxima de 7% ante o mês anterior um respiro após a lentidão do início do ano.
O desempenho, porém, ainda não é suficiente para reverter a trajetória negativa iniciada no segundo semestre de 2025. No acumulado de janeiro a abril, a BYD vendeu pouco mais de 1,02 milhão de veículos elétricos, queda de cerca de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Exportações se tornam o motor do negócio
Enquanto o mercado doméstico patina, as operações internacionais da BYD avançam em ritmo acelerado. No acumulado do ano, as exportações somam mais de 455 mil veículos crescimento de quase 60% e já respondem por quase metade dos negócios da empresa.
A meta é ambiciosa: alcançar 1,5 milhão de unidades vendidas no exterior até 2026. Para isso, a montadora investe em novos modelos, tecnologia de carregamento ultrarrápido e expansão em mercados emergentes e desenvolvidos.
Submarcas com desempenho desigual e lucro em queda livre
Entre as marcas do grupo, a linha principal da BYD manteve a liderança com 273.448 veículos vendidos em abril, mesmo com retração anual. A submarca Fang Cheng Bao foi o destaque positivo, com crescimento acelerado. A Denza perdeu fôlego, enquanto a Yangwang avançou no segmento de luxo.
Os desafios financeiros são igualmente sérios. O lucro da BYD no primeiro trimestre despencou mais de 55%, pressionado pela guerra de preços no mercado chinês e pelo aumento de custos operacionais. A empresa tenta reagir com investimentos em tecnologia e diversificação de portfólio.
O que esse cenário significa para o Brasil?
O Brasil é um dos mercados estratégicos da BYD no plano de expansão global. A montadora já opera aqui com modelos como Dolphin, Seal, Tan e Han, além de estar em fase de produção local na fábrica instalada em Camaçari (BA), antiga planta da Ford.
A pressão sobre o lucro e a guerra de preços na China podem ter reflexos diretos na estratégia de precificação da marca no mercado brasileiro. Por um lado, a necessidade de ganhar volume fora do país pode favorecer condições comerciais mais competitivas por aqui. Por outro, a queda de 55% no lucro trimestral pode limitar investimentos e promoções.
Para o consumidor brasileiro, o cenário reforça que a BYD seguirá apostando forte no país — e que a fábrica nacional é peça central nessa estratégia de compensar a fraqueza doméstica chinesa com presença global.



