A Bajaj anunciou a padronização total de pneus Pirelli em todos os modelos de motocicletas produzidos no Brasil, substituindo de vez os pneus da indiana MRF que ainda equipavam parte da linha nacional. A mudança já está em vigor na fábrica de Manaus e marca uma virada estratégica da montadora para consolidar sua operação no país como referência de qualidade e eficiência industrial.

Por que a Bajaj trocou a MRF pela Pirelli em todas as motos

A decisão não foi apenas comercial — foi logística e técnica. Com o aumento do volume de produção no Brasil, trabalhar com um fornecedor que possui presença industrial local passou a ser determinante para reduzir custos de importação e tornar a cadeia de suprimentos mais previsível.

Antes da padronização, a linha nacional convivia com dois fornecedores de pneus: a MRF, de origem indiana, e a própria Pirelli. Esse cenário gerava variação de processos e dificultava a uniformidade dos produtos entregues ao consumidor. Com a transição concluída, toda a gama sai de fábrica com o mesmo padrão de borracharia.

Outro ganho destacado pela empresa é o desenvolvimento de pneus desenvolvidos especificamente para o Brasil, levando em conta as condições de clima tropical, qualidade variável do pavimento e o perfil de uso dos motociclistas locais — algo que a parceria com a Pirelli viabiliza com mais profundidade do que a relação anterior.

Quais modelos Bajaj ganham Pirelli — e a exceção da NS400Z

A mudança atinge toda a linha, mas com pneus distintos conforme o perfil de cada modelo. As versões Pulsar N150 e as variantes Dominar 160, 200 e 250 passam a utilizar o Pirelli Sport Demon, um pneu de perfil esportivo voltado ao uso urbano e misto.

Já a Dominar 400, a mais potente da família, recebe o Pirelli Diablo Rosso III, composto desenvolvido para performance superior em curvas e frenagem — compatível com o caráter mais esportivo dessa versão.

Há uma exceção relevante: a Dominar NS400Z segue equipada com pneus Metzeler, marca que também integra o grupo Pirelli e é posicionada para aplicações de alta performance. Na prática, mesmo fora do padrão principal, a consistência técnica e a origem corporativa do fornecedor são mantidas.

O que significa para o consumidor e o mercado brasileiro de motos

Para quem compra uma Bajaj nova no Brasil, a principal mudança é a garantia de sair da concessionária com um pneu de marca premium europeia, reconhecida mundialmente no segmento esportivo e amplamente disponível no mercado de reposição nacional. Isso facilita tanto a manutenção quanto a troca por calibre equivalente em qualquer borracharia bem abastecida do país.

No contexto do mercado de motocicletas, a decisão também sinaliza amadurecimento da operação brasileira da Bajaj. A marca, que produz em Manaus dentro da Zona Franca, vem crescendo consistentemente e hoje disputa espaço direto com Honda e Yamaha em segmentos como esportivas de média cilindrada e naked bikes acessíveis.

A parceria estratégica com a Pirelli — que possui plantas industriais no Brasil — também reduz a dependência de importações de componentes, um ponto sensível para qualquer fabricante que opera no polo industrial de Manaus. Para o consumidor final, isso se traduz em potencial de maior estabilidade de preços e abastecimento mais consistente nos modelos da linha.