O debate sobre a montagem de veículos eletrificados no Brasil está em alta, especialmente em relação à prática de utilizar kits importados CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down). A Anfavea, a associação que representa os fabricantes de veículos, emitiu um alerta sobre os riscos que essa prática representa para a indústria nacional. O presidente Igor Calvet argumenta que a isenção de impostos concedida a esses kits, que termina em 31 de janeiro de 2025, pode enfraquecer a produção local e levar a uma perda significativa de empregos.
A isenção de impostos sobre os kits CKD e SKD, que ficou em vigor por seis meses, beneficiou um total de 16 montadoras, incluindo grandes marcas chinesas. A cota permitiu um montante de até US$ 463 milhões em alíquota zero, que gerou uma intensa competição entre fabricantes brasileiros tradicionais e novos entrantes no setor.
Os impactos do término da isenção de impostos
Com o término da isenção, a Anfavea defende que a não renovação das cotas é “prudente” para garantir investimentos produtivos no Brasil. Calvet observa que prolongar essa isenção favoreceria a montagem simplificada e prejudicaria a fabricação completa. Isso pode resultar na perda de até 69 mil empregos diretos e 227 mil empregos indiretos, além de impactos significativos na produção de autopeças e nos cofres públicos, com perdas estimadas em R$ 103 bilhões no setor.
Se a produção nacional for totalmente substituída por kits CKD e SKD, a arrecadação tributária pode registrar uma queda de R$ 26 bilhões, com perdas adicionais de R$ 42 bilhões nas exportações. A prática de SKD e CKD, utilizada por novas empresas como a BYD na Bahia e a GM no Ceará, reduz custos, mas pode impactar a mão de obra local e limitar o desenvolvimento industrial, uma vez que requer menos emprego e conteúdo local em comparação à produção completa.
Desafios e soluções para o setor automotivo
O dilema enfrentado pelo setor automotivo é a transição tecnológica rumo a veículos elétricos e híbridos sem transformar o Brasil em um mero ponto de montagem de veículos importados. Para a Anfavea, a solução passa pela exigência de conteúdo nacional, engenharia e investimentos reais que garantam empregos qualificados e o fortalecimento da cadeia produtiva.
Montadoras tradicionais, como Volkswagen, Toyota, Stellantis e Chevrolet, já alertaram sobre os riscos de competição desigual resultante dessa situação. Enquanto isso, novas montadoras utilizam o SKD como porta de entrada ao mercado, planejando avançar para uma produção nacional mais completa até 2026.
A proposta de uma gradual retomada do imposto de importação, que chegará a 35% para SKD em 2026 e para CKD em 2027, tem como objetivo incentivar a produção local e proteger os empregos existentes, evitando que o Brasil se transforme apenas em um ponto de montagem de veículos.
Resumo
- Data de Término da Isenção: 31 de janeiro de 2025
- Cotas Beneficiadas: US$ 463 milhões
- Possíveis Perdas de Empregos: 69 mil diretos e 227 mil indiretos
- Impacto Econômico Projetado: R$ 103 bilhões em produção de autopeças
- Novas Taxas de Imposto: 35% para SKD (2026) e CKD (2027)
O Que Isso Significa para o Brasil: A finalização da isenção pode impactar diretamente a economia nacional, a geração de empregos e a capacidade competitiva da indústria automotiva local frente à crescente invasão de marcas estrangeiras.



